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sábado, 31 de março de 2007

.o.fio.invisível.

às vezes quase esqueço que é preciso respirar.
tanta gente conectada por fios invisíveis tecidos pelo ar.
é essa conexão que torna as coisas mais fáceis?
ou é essa conexão que faz as coisas parecerem tão impossíveis?
do lugar onde me encontro e mais alguns poucos metros, encontram-se pessoas
com conceitos diferentes do que é respirar,
do que amar, do que é sentir-se bem, do que é volitar
entre nuvens imaginárias de palavras combinadas.
procuro a resposta que ninguém pode me dar,
posso por esse fio, encontrar a paz para as pessoas
paz que talvez eu nem possa conceder?
posso por esse fio, ditar o melhor caminho para pessoas
que não querem repetir os erros meus?
posso por esse fio, concertar a minha vida
que tantas vezes nem entendo como consegue continuar?

(agradecimentos ao trabalho da designer carioca Mana Bernardes, pela inspiração desse poema.)

domingo, 18 de março de 2007


.sofferenza.


Se eu me derreter através dos olhos
quem sabe eu possa chegar até o chão
mas espere, eu já não estava lá sem perceber?
talvez agora o caminho se transforme em dois
e os sonhos se transformem em papéis esquecidos num baú
e a vida mostre que seu curso é como o de um rio, inalterável.
o medo de errar é indiscutível,
a partir do momento que a minha dor
se transforma em algo irredutível.
escolhas tomadas, armas em punho, uma batalha sem luta.
uma batalha sem ganhadores e sem perdedores.
se possível, me isentaria de qualquer um dos dois.
não adianta, é assim que eu vejo a vida,
mas não é assim que a vida me vê.

sábado, 17 de março de 2007


A.procura.do.infinito.


Que Camões perdoe-me
Mas a única Vênus que conheci
É a beleza que se encontra nos olhos teus.
E que Érico encontre-me
através do vento ou do tempo que vivi
talvez estivesse lá a esperança eterna dos braços meus.
Queria te dar o impossível, quem sabe assim,
Indescritível sensação de egocentrismo,
Sim, nada mais que meu puro egoísmo,
Querer teus olhares e sorrisos só pra mim.


sexta-feira, 16 de março de 2007


O Que Dizem as Estrelas?


Dizem as estrelas que o mundo deve ser feito de justiça

e não devemos temer aquilo que não é feito para nós

que não devemos nos opor a ações que nós mesmos cometemos.

Que devemos pensar mais do que a cabeça pode conseguir

absorver o externo e usar exatamente no interno

porque como dizem as estrelas, é lá que está o verdadeiro valor.


Não seguimos os conselhos que falam tanto da cobiça

que persiste em nos perseguir, em não nos deixar a sós

ou de acreditar que poderíamos ser melhores do que seremos.

Que ás vezes a falta de amor faz questionar o existir

faz pensar inexoravelmente sobre aquele abraço que afaga no frio do inverno

e é como dizem as estrelas, esse é o verdadeiro calor.


Não somos nada no fim das contas.

Somos um céu estrelado por onde dirigimos nossos sonhos.

Somos fruto de um acreditar de desejos eternos.

E enquanto se está ocupado e fechado para o sentimento alheio

o mundo ruge com a mesma ferocidade de sempre para aqueles

que não enxergam o caminho exposto diante da porta aberta.


E quando será a última flechada

Quando atiraremos a primeira, talvez, a última pedra?

Para onde vão as palavras que só valem quando comprovadas?

Que faço eu quando a gota desejar se atirar

sobre o abismo no fim do meu rosto?

a mesma coisa, a mesmíssima coisa de sempre.

Ouvir o que dizem as estrelas.